A Experiência da Experiência: Saber de Outra Forma na Antropologia
O professor e antropólogo Mattijs van de Port discute o impacto social do ensino, suas produções cinematográficas e os desafios do encontro etnográfico.

A antropologia se destaca na academia como uma disciplina onde as formas tradicionais de conhecimento são abordadas de maneira crítica, abrindo espaço para uma diversificação radical de métodos e experimentações midiáticas, como o uso de filmes, fotografias e desenhos. O professor Mattijs van de Port, da Universidade de Amsterdam, ressalta que atuar nesse ambiente é um privilégio que permite aos pesquisadores buscar continuamente novas formas de compreender a realidade vivida.
Ao ser questionado sobre o impacto social de suas produções, Mattijs enfatiza que é através do ensino e da interação direta com os alunos que ele realmente sente a oportunidade de gerar uma transformação palpável. Ele busca inspirar estudantes que compartilham de suas antigas incertezas, mostrando que é possível consolidar uma voz acadêmica autêntica e “queer” dentro de uma instituição que frequentemente pressiona os indivíduos a pensarem e agirem de forma padronizada.

O cinema surge na trajetória do antropólogo como uma resposta à insatisfação com as convenções da escrita acadêmica tradicional, que muitas vezes busca simplificar excessivamente a complexidade do mundo. Para Mattijs, o filme ensaio funciona como um meio multicanal capaz de acolher a “bagunça” e a realidade vivida, combinando textos, sons, música e imagens em movimento que desafiam constantemente os argumentos purificados da academia.
O encontro com o outro e a imersão em mundos desconhecidos constituem o núcleo central de suas experiências de campo, mesmo quando isso exige sacrifícios ou o enfrentamento de contextos homofóbicos, como ocorreu em suas pesquisas na Sérvia. Essas vivências profundas, embora desafiadoras, são defendidas pelo professor como caminhos indispensáveis para que os jovens pesquisadores saiam de suas bolhas cognitivas.

Olhando para o futuro, as ambições profissionais do antropólogo continuam focadas na investigação das masculinidades contemporâneas. Seu próximo projeto delineia uma mudança geográfica e temática importante, deslocando seu eixo de pesquisa da região do Recôncavo Baiano em direção ao semiárido do Sertão.
O novo estudo pretende explorar a carga simbólica e sensorial do couro, material profundamente associado aos corpos dos vaqueiros, aos caboclos e às narrativas históricas que tangenciam o universo queer na região, utilizando referências que vão desde os antigos faroestes até a figura histórica de Lampião.






























