Por que a academia virou a nova terapia para muitos homens

Nos últimos anos, a academia deixou de ser apenas um espaço para moldar o corpo e se tornou um refúgio emocional para muitos homens. O ferro, o suor e o som ritmado das máquinas acabaram ganhando outro significado: o de válvula de escape para pressões, angústias e ansiedades que muitas vezes são difíceis de colocar em palavras.

Entre uma série e outra, há quem encontre na repetição dos movimentos uma forma de organizar os pensamentos. A rotina física ajuda a construir disciplina, mas também estrutura emocional. Em vez de fugir dos próprios sentimentos, muitos homens passaram a enfrentá-los através do treino, transformando o esforço em uma espécie de terapia silenciosa.

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A prática regular de exercícios libera endorfina, serotonina e dopamina, neurotransmissores ligados à sensação de prazer e bem-estar. É uma explicação científica, mas o efeito vai além da química. Treinar é, para muitos, um momento de introspecção. O corpo responde, o espelho muda, mas a mente também se realinha.

A academia também funciona como espaço de socialização. Para quem busca pertencimento, encontrar outros homens com objetivos parecidos pode ser uma forma de criar laços e diminuir a solidão. Mesmo em silêncio, há uma troca de energia, um reconhecimento mútuo de quem está ali tentando melhorar um pouco a si mesmo.

Além disso, a estética e a saúde física passaram a caminhar lado a lado com a ideia de autocuidado. Cuidar do corpo é, hoje, cuidar da cabeça. Não se trata apenas de vaidade, mas de respeito próprio. Muitos homens que antes se sentiam desconectados do próprio corpo descobriram na academia uma maneira de se reconectar consigo.

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Há também o lado simbólico. O treino vira metáfora de superação: o peso representa os problemas, o esforço é o enfrentamento e o progresso físico é o reflexo de um equilíbrio mental que começa a se construir. Pouco a pouco, a academia se transforma em um território onde se aprende a ter paciência, foco e confiança.

Quando alguém diz que “a academia virou terapia”, não é exagero. É um reflexo de uma geração que aprendeu a cuidar da mente pelo corpo. No fim das contas, o treino é menos sobre estética e mais sobre encontrar um espaço seguro para existir sem julgamento, suar o que pesa por dentro e sair um pouco mais leve por fora.

Por: Rhuan Rodrigues

Estima Notícias! ISSN 2966-4683

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Rhuan Bastos
Jornalista freelancer - Estima Notícias!